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Marialva

Castelo de MarialvaPerdida algures no tempo e na serra, Marialva surge-nos como uma lenda que perdura.

Plena de história e de histórias, é inevitável recuarmos no tempo e em cada recanto quase conseguimos ouvir os ruídos e sentir os aromas de um passado longínquo.

Influenciados por uma grande profusão de lendas e memórias, sentimo-nos envolvidos por um ambiente mágico onde se cruzam donzelas e cavaleiros, anjos e demónios!

Um pouco de História

Marialva é hoje uma das 12 aldeias e freguesias do concelho de Mêda, distrito da Guarda, cujas ruínas e vestígios que chegaram extraordinariamente bem conservados aos nossos dias deixam adivinhar um passado de grande relevância e importância histórica. 

Apesar de estar hoje praticamente abandonada, a vila de Marialva conheceu um período de franco apogeu nos séculos XII e XIII. A povoação constitui uma das mais singulares ruínas de estruturas militares medievais portuguesas mantendo a sua fisionomia praticamente intacta, quer na fortaleza, quer na povoação que se desenvolveu em seu redor.

O castelo dominante no alto de um íngreme penhasco, é o monumento mais importante do conjunto urbano, dominando ainda hoje a paisagem. Possui as características de um castelo românico, com a sua torre de menagem isolada no centro de um pátio relativamente reduzido e entrada principal pelo lado poente. Com estes dados a fortaleza datará certamente do Sec. XI quando D. Sancho I promoveu parte importante do povoamento da região.

Castelo românico, pequeno, inacessível, á sombra do qual nasce uma povoação medieval de grande importância no seu contexto regional

Em 1286 D.Dinis estabeleceu em Marialva uma das muitas feiras criadas no seu reinado, cujas medidas da vara, do côvado e do palmo estão ainda inscritos nos pés-direitos da Porta do Anjo (virada a sudeste), a principal entrada na vila amuralhada.

Dentro do perímetro urbano, as ruas são irregulares e o espaço intra-muralhas apresenta, na actualidade numerosos espaços vazios que originalmente estariam ocupados por habitações.

Em todo o caso, e para alem de algumas casas de ascendência medieval o conjunto integra o largo principal, imediatamente abaixo da Cidadela do Castelo, onde permanece o Pelourinho e a Casa da Câmara, símbolos da ancestral autonomia concelhia de que a localidade desfrutou.

Em 1440 a alcaidaria da vila passou a condado ligado a família Coutinho, confirmando deste modo a sua progressiva história de desenvolvimento. No entanto os séculos seguintes ditariam a sua decadência. Obteve novo foral de D. Manuel e eventualmente sujeita a reformas por iniciativa do infante D.Fernando, irmão de D. João III, e alcaide-mor de Marialva, a velha fortaleza perdia, no entanto, importância e a localidade era abandonada á medida que as novas exigências da guerra passavam ao lado de um castelo obsoleto. Em meados do Sec. XVII a fortificação foi ainda utilizada em plena guerra peninsular, mas um século depois estava já irremediavelmente abandonada e a vila reduzida a oito vizinhos.

No Sec. XX Marialva era pouco mais que uma ruína e nos anos 40 procedeu-se á reconstrução quase integral da Torre de Menagem, bem como de numerosos troços de muralha que ameaçavam desaparecer. Actualmente Marialva é uma das Aldeias Históricas da Beira, tendo sido alvo de restauro de grande parte da vila e de um consequente desenvolvimento turístico. 

Características dos monumentos mais importantes

Vista para o casteloO conjunto actualmente bastante arruinado foi estruturado em função do dispositivo militar e que compreende dois núcleos:

  • A Cidadela situada no ponto mais elevado do terreno e que é composta pela Torre de Menagem, por 3 torresdefensivas e que comunica com a vila por três portas.
  • O núcleo civil ou urbano no qual existem dois pólos distintos:
    • o administrativo que compreende o Pelourinho e a antiga Casa da Câmara , o Tribunal e a Cadeia;
    • o religioso integrado por 2 igrejas e um cemitério

Muralha

A ampla muralha do Castelo, em alvenaria de granito compreendia o recinto urbano medieval e apresenta planta ovalada, irregular orgânica, adaptando-se á configuração do terreno.

Existem nela 4 portas:

  • Porta do Anjo da Guarda: em arco quebrado encimada por abobada de berço quebrado comunicando com a malha urbana extramuros;
  • Porta do Monte ou Porta da Forca: em arco quebrado pelo interior e arco pleno pelo exterior, encimada por abobada de berço quebrado comunicando com a zona mais elevada;
  • Porta de Santa Maria: em arco pleno encimada por abobada de berço comunicando com a Devesa;
  • Postigo: em arco pleno encimada por abobada de berço;

No Sec. XIV a muralha foi reforçada por três Torres de Planta Quadrangular :

  • Torre do Relógio: Composta por três pavimentos abrindo-se duas portas e uma janela no segundo. É encimada por ameias em forma de pentágono;
  • Torre do Monte: actualmente em ruínas;
  • Torre dos Namorados ou Torre da Relação: onde se inscreve um poço-cisterna com formato circular;

Cidadela

Interior das MuralhasÉ composta pelas seguintes estruturas:

  • Cerca: muralhamento reforçado em alvenaria de pedra granítica e que remonta ao Sec. XVI;
  • Torre de Menagem: dominando toda a estrutura defensiva e a povoação, de planta trapezoidal remontando ao Sec.XIII encimada por ameias;
  • Cisterna: em tijolo forrado de argamassa, remonta ao Sec. XVI;

A comunicação da Cidadela com a zona exterior efectua-se através de duas portas:

  • Porta da Cidadela: em arco quebrado;
  • Postigo; 

Edifícios e outras Estruturas

A zona urbana que compreende o interior das muralhas tem sido vitima do tempo e do abandono, mas ainda se podem percorrer caminhos revestidos a calçada Portuguesa, principalmente na zona da Praça. Neste espaço podem ainda observar-se conjuntos de ruínas e edifícios mais recentes, dos quais se destacam:

  • Antiga Casa da Câmara, Tribunal e Cadeia: Remontam provavelmente ao Sec.XVII. Na fachada principal surge o corpo da sineta e uma escada de acesso ao 2º.piso. Possui ainda um escudo com as Armas de Portugal.
  • Poço-Cisterna;
  • Pelourinho: Remonta ao Sec.XVI e tem características manuelinas. Num plano ligeiramente inclinado esta assente em 4 degraus de forma octogonal;
  • Igreja da Misericórdia ou Igreja do Senhor dos Passos: Possivelmente do Sec.XVII em estilo maneirista de inspiração clássica. No seu interior encontra-se um retábulo em talha dourada que devera datar do Sec.XVIII;
  • Igreja de Santiago: Edificada em 1585 possui características manuelinas e barrocas. Capela-mor totalmente revestida a talha sem pintura e sacristia anexa. A fachada principal é composta por um portal em arco pleno.
  • Cemitério: estrutura mais recente, datando do Sec.XIX;

Curiosidades

O NOME

Desconhece-se a origem e não se pode afirmar com certeza, mas atribui-se o nome de Marialva a um tributo à Virgem Maria (Maria Alba), instituído por Fernando Magno, visto o culto Mariano ser uma pratica comum nos Séculos XI e XII.

A LENDA

Diz-se que o nome de Marialva teve origem na Lenda da Dama dos Pés de Cabra, e que segundo a qual vivia por estas paragens uma linda e misteriosa dama moura, de seu nome Maria Alva e que nunca mostrava os pés. Um dia apaixonou-se por um cavaleiro cristão. Diz a lenda que uma das suas aias, movida pelo ciúme, espalhou farinha no chão por onde Maria Alva passaria. As pegadas que deixou foram de pés de cabra e vendo assim exposto o seu segredo e julgada pelo povo como sendo o próprio demónio, a dama moura lançou-se da torre do castelo não sem antes amaldiçoar a aldeia. Conheça mais detalhadamente a lenda de Marialva.

O POETA

A título de curiosidade, encontra-se em Marialva num dos aglomerados rochosos a seguinte inscrição gravada na pedra: “…é este conjunto de edificações em ruína, o elo misterioso que as liga á memória presente dos que viveram aqui, que subitamente comove o viajante, lhe aperta a garganta e faz subir lágrimas aos olhos.” (in Viagem a Portugal de José Saramago).

 

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